terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

As Cartas


Cartas sempre foi um tema que mexeu comigo. Na velocidade com que as coisas acontecem, não foi diferente com a comunicação. Ela evoluiu da carta escrita manualmente, para a datilografada e daí, rapidamente para o sistema de e-mail[1] e dele, para um sistema mais rápido ainda, que são os WhatsApp[2], tão utilizado, pelo mundo dos jovens, até mesmo pelo mundo político.

A Carta[3] é uma maneira direta de se comunicar, ela é uma comunicação de um para um. A Carta espera uma resposta, diferente das Epistolas que serviam para que nelas fosse transmitido um comunicado solto. Trazendo isso para o mundo de hoje, as Cartas estão para os e-mails assim como a Epistolas[4] estão para os posts nos blogs, uma ideia independente que pode ou não ser lida, ou até mesmo comentada pela população para quem ela foi dirigida.

Foi nesta linha que as cartas entraram na minha vida e me fizeram pensar o quanto elas foram importantes e têm sua participação na formação e conceitos no meio científico, no meio político, e no meio religioso.

Foram as cartas que aproximaram pessoas. Foram as cartas que promoveram namoros entre casais que se conheceram e até mesmo o levaram ao casamento. Foram as cartas entre filósofos que no mundo da filosofia evoluíram para grandes obras, como o anti-Edipo uma relação entre Deleuze e Felix Guttari em 1972. Foram através das cartas que os reis se dirigiam aos principais súditos transmitindo ordens e destituindo-os de cargos, assim como Bolsonaro fez ao exonerar o ministro Gustavo Bebiano no dia 18 de fevereiro, só que nos dias de hoje isto ocorre através do WhatsApp.

As cartas são temas que encontramos em muitas letras cantadas por Roberto Carlos, como na música "Cartas de Amor", onde ele diz que ontem tinha relido as cartas que tinha escrito com frases repletas de amor, hoje, talvez ele mandaria um e-mail que seria muito mais rápido e a eleita levaria consigo em seu iPhone para mostrar o que tinha recebido do seu amado e ele dizendo que as lembranças deixadas nas velhas frases foram ditadas pelo coração.

Cesar Passarinho na música “O Guri”, ao meu ver é uma das mais bonitas de seu repertório, diz em determinado momento “Hei de ter uma tabuada e o meu livro Queres Ler; Vou aprender a fazer contas e algum bilhete escrever; Pra que a filha do seu Bento saiba que ela é meu bem querer; E se não for por escrito eu não me animo a dizer”.

Escrevi muitas cartas de amor, de algumas recebi respostas, de outras não. Das que não recebi respostas, não sei se elas chegaram nas mulheres para quem mandei e que foram meus amores platónicos de guri, mas se fosse hoje, eu com certeza teria mandado um WhatsApp e controlaria para ver se elas tinham recebido e se tinham lido. Mais tarde evoluí, e em vez cartas mandei e-mail apaixonados, dizendo que na noite escura eu tinha perdido o sono pensando nela.

Foi através de cartas entre eu um provável parente de São Paulo, que comecei a me interessar pela genealogia[5] e assim surgindo a página “A Família Stona no Brasil”. Jacques Stona tinha uma letra bonita, como todos aqules que gostavam de escrever cartas e foi através de inúmeras, que fiquei sabendo que na Itália, na Região de Foza tem os Stonas de Sotto e os Stonas de Dopo. Hoje, com certeza, graças a existência da internet e através de facebook, WhatsApp e dos e-mails, minhas pesquisas teriam tido mais sucesso, claro, com a ajuda do Jacques.

As cartas levam muito tempo até chegarem no destino final. Elas tinham que ser escritas, revisadas, relidas, colocadas em um envelope, levadas no correio e a partir daí, aguardar uma resposta, que também levava muito tempo.

Deleuze, segundo David Lapujade no livro “Cartas e outros textos” publicado pela Editora n-1 edições, na troca de cartas com colegas, chegava a levar até um ano para receber ou mandar respostas sobre assuntos. Em 18 de novembro de 1982 ele escreveu para Arnaud Villani se queixando de uma insuficiência respiratória, mas comentado a vivacidade por ele ter captado sua ideia e sita um texto de Nietzsche onde este escreve que um pensador lança uma flecha e um outro pensador a apanha e a lançará por sua vez a um outro …, ai completa dizendo que “o senhor apanha bem minha suposta flecha. Depois desta carta, curiosamente só vai escrever outra a Villani em maio de 1983, seis meses bem certo entre uma e outra dizendo que tinha ficado feliz em ter recebido notícias dele e ter lido os textos escritos pelo Villani e não estava disposto a escrever o prefácio de um livro que falava sobre ele.

Hoje nossas respostas são imediatas e não fizemos nem por e-mail nem por WhatsApp, pegamos o telefone ligamos perguntado se o outro aceita ou não aceita participar de um livro.

Em uma das cartas que Deleuze escreve para Pierre Klossowski em 1978, comentando sobre a participação de Pierre no filme Reberte dirigido por Zucca, inicia pedindo desculpa por estar escrevendo muito tarde, no final ele diz em PS 1 que não consegue mais fazer uma carta, e que acha isso terrível, mas se declara que gosta do efeito solidão. Em abril de 1979 ele volta a escrever sobre o mesmo assunto, mas cinco meses depois? Nesta época ele ainda não tinha terminado de escrever com Felix o livro Mil platôs que só vai acontecer em 1980.

As cartas na vida dos nossos filósofos tiveram uma importância muito grande, pois Deleuze escreveu com Felix, entre outras obras, Mil Platôs e o anti-Edipo tem O que é a Filosofia, o tema que inquietou Deleuze por muito tempo, como ele diz em outras cartas para outros colegas.

Assim como podemos ver, foram nas cartas que também, Nietzsche, Voltaire e Freud desenvolveram grandes conceitos e como li certa vez, que a escrita, a linguagem e as palavras dos poetas e religiosos, foram o caminho pelo qual os antigos iniciaram a formação da humanidade, estudo há anos este tema.



[1] O e-mail surgiu para a troca de mensagens entre usuários de computadores, o primeiro que se tem notícia, foi no ano de 1965.

[2] Whatsapp foi criado em 2009 por Jam Koum e Brian Acton em 2009, mas só se tornaram realidade.31 de ago de 2015

[3] As Cartas são consideradas o meio de comunicação mais antigo do mundo. Reis do antigo Oriente Médio já escreviam cartas. Alguns estudiosos apontam, dizem que a carta é a mãe de todos os gêneros textuais. Antigamente, a base da comunicação era a carta.
Fonte: Correio Popular de Campinas (14/01/2008)

[4] A Epístola, vem do grego, significa ordem, mensagem e, possui significado semelhante à carta escrita e não assinada. São textos escritos em forma de carta, seja com objetivo ou não de ser enviada ou obter respostas.
[5] Estudo que estabelece a origem do indivíduo e da família,

domingo, 30 de setembro de 2018

Sobre a questão da Morte


“Sobre a Questão da Morte”, é o título dado pelo Prof. Rafael Werner, para o Seminário Temático proposto por ele no Curso de Filosofia do iMED.

Sempre disse que consigo lidar muito bem com a morte, tendo ela, simplesmente como um fenômeno natural, pois a considero um evento onde todos os seres vivos participarão, mesmo que eles não venham a ser convidados ou mesmo sem que eles respondam ao convite RSVP “Répondez S’il Vous Plait”.

Por isso mesmo, quando o tema foi proposto, interessei-me e coloquei em minha agenda acadêmica como um curso obrigatório, seria nele, em um ambiente puramente universitário que eu iria rever conceitos e estudar o pensamento de grandes pensadores que discutiram e escreveram sobre a morte ao longo de mais de dois mil anos.


 “Além do Princípio do Prazer, de Sigmund Freud, foi o livro adotado e onde o autor expressa toda sua genialidade ao nos apresentar a pulsão da morte e a compulsão à repetição. A ideia de oposição de Eros que representa o instinto a vida, e Thánatos representando o impulso a morte, que estaria impregnando em todos nós. É o que Freud, sabiamente mistura a seus estudos sobre os sonhos introduzindo aos poucos o seu ponto de vista, que segundo ele, os sonhos são realizações de um desejo.

A pulsão da morte proposta no livro, é uma constante entre a vida e a morte, e é ela que assume o controle do aparelho psíquico. Freud evidencia que a pulsão de morte se opõe a pulsão de vida, onde esta tem uma natureza conservadora e é justamente essa a natureza dos impulsos que impelem, obrigam, à repetição e enquanto outros impulsos buscam uma nova configuração para vida.

Meu propósito neste post, não é tratar do que disse ou do que escreveu Freud ou mesmo Foucault em a “História da Loucura” onde ele diz: “Até a segunda metade do século XV, o tema da morte impera sozinho. O fim do homem, o fim dos tempos. O que domina a existência humana é este fim e esta ordem à qual ninguém escapa”, mas tratar da morte de três pessoas que este ano encerraram seu ciclo, parando de produzir eventos, de produzir fatos que ficam registrados nas recordações dos que com elas conviveram e nas fotos dos álbuns digitais, que pouco a pouco são revelados em acontecimentos que reúnam familiares, amigos e quem os conheceu. A morte interrompe a produção de novos fatos.

Busquei em Freud, Foucault só a confirmação do que a minha mente produziu em recordações nesse tempo e sobre o que senti quando fiquei sabendo sobre a morte da Iracema, (minha mãe de Santo como eu carinhosamente a chamava).

A Morte do Motta (my brother is crazy do grupo The Crasies) e a morte da Dona Ilda (minha amiga há mais de 30 anos), por isso que no livro “Além do Princípio de Prazer” diz Freud que “o fato de que tudo que é vivo morre – retorna ao inorgânico – por razões internas, somente podemos dizer que a meta de toda a vida é a morte e, retrocedendo, que o inanimado estava aí antes das coisas vivas”, nos leva a acreditar, que realmente só existe a vida porque existe a morte.

Quando fiquei sabendo da morte da Iracema escrevi assim nas redes sociais: 

 Iracema:
Esta é minha última escrita para Iracema. Mulher de personalidade forte, mulher que reunia em sua volta, muitos amigos e todos, sem exceção a queriam muito bem, todos a amavam.

Conheci a Iracema há muitos anos, não marco o tempo.

Conheci a Iracema em um momento entre a vida ou morte. Ela venceu a morte e me fez seu fã, seu admirador, seu amigo a quem passei a chamar de “minha mãe de santo”, mesmo sem eu ser de religião.

Muitas vezes tomei chá na casa dela, jantei, almocei e muitas vezes em hora de desespero pelas coisas que a vida nos apresenta, recorri a Iracema, “a minha mãe de santo Iracema”

Não acredito em morte, acho que ela faz parte da nossa vida, e a gente vive para sempre na memória daqueles que nos querem bem. Ela viverá sempre em minha vida e na vida de quem da minha vida fez a minha vida. Não se morre, encerremos um ciclo, paremos de produzir fatos, de sair em fotos, de dizer e contar histórias. Paremos. Iracema parou de ler as cartas e de trabalhar em seu terreiro, mas ficou na história.

Um beijo, querida Lisiane Santos. Um beijo “Preta” como chamo também carinhosamente a Denira Costa Dos Santos, um beijo a todos da família, sigam o caminho e os ensinamentos de sua mãe de sangue e minha mãe de Santo. Iracema morreu no dia 06 de janeiro de 2018

Dona Ilda:
Bom dia! Tem coisas que fazem parte de nossa vida. Tem coisas que se incorporam em nossas recordações e nos trazem boas lembranças, nos trazem histórias e histórias que nos marcam. Estas coisas todas são formadas por pessoas, pessoas que são cultas e nos marcam com suas sabedorias populares, que amam como todos nós amamos, que possui vaidade como toda a mulher possui, as mesmas vaidades que as mulheres das rodas sociais, dos palacetes. Esta pessoa que estou me referindo, é a dona Ilda. Dona Ilda morreu hoje, ou morreu ontem, não sei certo.

Dona Ilda que conviveu anos e anos com todos nós, morreu. Morreu como morrem todos, morreu no meio de sua família, o que ela mais amava e sempre se preocupou na vida. Dona Ilda morreu como morreu o Valter e como morreram outras pessoas. Dona Ilda morreu em 15 de setembro de 2018 e ao publicar em um grupo que participo no WhattsApp, meu amigo Dr. Paulo Moreno disse assim:

Bah Dirceo, estava operando, vi agora a mensagem sobre a dona Ilda. Que triste, mas faz parte. Fazer o que? Como disse a Fofa, ela, a dona Ilda, foi uma lutadora, com seu estilo próprio, enfrentando tudo, indo contra as previsões, negociando ganhos. Não deixa de ser um exemplo. Que descanse em paz

Quando todos ficam sabendo da morte do Luiz Emilio Sesti Motta, o Gordo, como ele era conhecido, o Fausto disse:

O Gordo nosso querido amigo acaba de nos deixar! Descansa em Paz depois de longa luta e sua tenaz vontade de viver, de estar conosco! Se foi! Deixa uma imensa saudade e o choro em nossas gargantas!

Sobre o Motta, ainda vou fazer um post especial, onde comentarei nossa amizade, nossos encontros dos “The Crasies”. Ele merece uma atenção especial. Eu farei. Mas antes termino citando Chico Xavier, que postei assim no grupo de WhatsApp 

Gente, a propósito de uma série de acontecimentos, hoje se comemora 16 anos da morte de Chico Xavier, nunca tive ele entre meus mentores de vida, mas disse ele nesse texto escrito sobre a vida:
- A vida na terra é uma passagem, o amor uma miragem, mas a amizade é um "fio de ouro" que só se quebra com a morte.
Você sabe?
- A infância passa, a juventude a segue, a velhice a substitui, a morte a recolhe.
- A mais bela flor do mundo perde sua beleza, mas uma amizade fiel dura para a eternidade.
Viver sem amigos é morrer sem deixar lembranças

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O Banquete


N.A: Este Banquete é uma sátira ao Banquete de Platão, onde só participaram, Agatão, Sócrates, Alcibíades e outros amigos, por isso que as filósofas, sob a liderança de Diotima, resolveram, elas mesmas, a falarem sobre o amor


Como admitir um encontro onde só participaram os amigos de Agatão, Sócrates e Alcebíades, deixando de fora deste grande symposion onde a conversa foi acerca da depuração do ato de amar, outros membros da aristocracia Grega e de ilustres famílias Atenienses? Elas que são representantes da beleza e da cultura feminina da época.
Com esta pergunta provocativa e polêmica no meio acadêmico, que sempre me deixa inquieto ao ouvir falar em “O Banquete de Platão”, escrito 380 a.C, comecei a criar em meu imaginário um cenário e um problema a ser respondido, do que ter-se-ia dito nos meios de comunicação e nas redes sociais, caso aquele jantar tivesse ocorrido em pleno século XXI?
Ministra Laurita Vaz
Como reagiriam neste caso os excluídos e defensores de bandeiras progressistas?
Temos no mundo várias e importantes mulheres ocupando altíssimos postos de comando em seus países.
Ministra Carmem Lúcia
No Brasil temos como presidente do STJ – Superior Tribunal de Justiça, a ministra Laurita Vaz e no STF - Supremo Tribunal Federal a presidente é a ministra Carmem Lúcia.
Após estes questionamentos voltemo-nos a década de 380 a.C, quando ocorreu o “O Banquete”
Naquela época, Diotima de Mantíneia, que era uma sacerdotisa e filósofa, também
Diotima de Mantinéia
não gostou do tratamento que recebeu no local onde ocorreu “O Jantar”. Com isso, reuniu em sua casa suas amigas:
- Aspásia, que mesmo tendo vindo de Mileto, pertencia a um círculo da elite de Atenas
– Asiotéia que era de Filos, e foi discípula de Platão
– Hiparquia que era de Maronéia - e
- Temistocléia, que foi a primeira mulher filósofa do Ocidente, para um chá e pergunta para cada uma delas, sobre o que elas estavam sabendo e pensando, sobre o encontro ocorrido às escondidas na casa de Apolodoro? Que Diotima, por estar tão indignada, ridiculariza o anfitrião, identificando ele pejorativamente pelo apelido de “Cuca-Polido”, por ser um homem desprovido de cabelos, aliás, como se diz, calvo mesmo, no real sentido da palavra.
Diotima, em seu discurso inicial se mostrou muito revoltada, com a forma como
Hipárquia de Maronéia
ocorreu aquele Banquete, por vários motivos:
- Um porque Agatão não foi capaz de chamá-la para comemorar a vitória do concurso teatral da “Primeira Tragédia” e era ele quem tinha promovido aquele encontro para discutir sobre o amor.
- Outro motivo, por ter sido ela quem tinha ensinado a Sócrates que o amor sofreu algo similar ao que houve com a poiésis – palavra grega que significa a ação de fazer, de produzir, de criar, engendrar o novo. Disse a Sócrates que todos os elogios sobre o amor estiveram até então, sempre vinculados ao desejo de se unir ao que é bom e ao que nos faz felizes, restritos a indicar a busca da metade que complemente aquele que padece por algo que lhe falta, suposto estar no ser amado. Essa ideia de amor é dela, então porque Sócrates falar por ela?
Logo, para Diotima de Mantineia e para suas amigas, este jantar regado a vinho e trocas de elogios entre eles, não passou de uma reunião de ébrios, que pretendiam discutir o amor em cima de uma proposição feita por Erixímaco, que ao vê-la no recinto chamou-a “de flautista”, mandando que ela fosse se reunir com as outras.
Um dos motivos deste encontro, seguia falando Diotima, era porque eles estranhavam a falta de hinos para Eros, já que para os outros deuses havia, e que também, jamais um poeta fez uma proza que fosse em homenagem a Eros
Aspásia de Mileto, como já disse, pertencente a elite de Atenas, entra na conversa
Aspásia de Mileto
e diz que, mesmo ela que nunca escreveu nada sobre o amor, de Eros e de Afrodite ela entendia, e que ao contrário dela, sobre amor mesmo, nenhum homem entende muito bem, além do mais, que até os dias vividos por ela, eles não tiveram coragem de celebrar o amor verdadeiro. Dessa forma, mesmo que ela não tenha participado do banquete na casa do Apolodoro, ficou sabendo e acredita que Fedro, que lá estava, fez bem em venerar os deuses e propor a discussão do tema. Concluiu Aspásia.
Eu sei - diz Diotima - pois foi eu, disse ela, quem ensinou a Sócrates sobre a genealogia do amor e ainda bem que ele, foi grato a mim e confessou aos seus pares, que quem entendia mesmo de amor, Amor com letra maiúsculas era uma mulher e Mantineia de nome Diotima.
Ensinei a Sócrates – continua Diotima - que o amor (Eros) era filho de Poros (Recurso) e Pénia (Pobreza), um espírito (daimonion) intermédio, que não é rico nem pobre, não é feio nem belo, um intermediário entre os deuses e os homens. Que Eros será "essa carência que alimenta uma energia poderosa e incentiva e arranca do homem à sua miséria ontológica". Dizemos "Amor" com "A" grande, e não com minúscula, o “a” do amor banal, do amor carnal dos homens e das mulheres dos tempos que ainda será chamado de tempos modernos, dos tempos que estão por vir, onde não haverá para os homens, tempo suficiente para se amarem, para se entregarem uns aos outros. Isto foi o que pedi para Sócrates colocar em sua fala.
O Amor é um dos temas mais estudados na literatura, mas parece que a filosofia ocidental nunca se deu muito bem com ele, mas vai surgir ainda alguém – disse Diotima - que dirá que - o amor "é fogo que arde sem se ver". Gostaram amigas? Pergunta Diotima. Como então que, se nós que somos as que entendemos de Amor, ficamos de fora deste grande symposion?
De que adianta Erixímaco, filho do Acúmeno, que vive falando aos quatro ventos, que a embriaguez é desagradável para o homem, ficar ai participando dessa orgia alcoólica?
De que adianta Erixímaco, filho do Acúmeno com todos seus conhecimentos, que diz trazer da prática com a medicina, não explicar aos demais, que os que bebem muito vinho sofrem de uma ressaca e esta ressaca quando da véspera será um problema?
De que adianta pregar tudo isso em um encontro de ébrios?
Diotima disse que Fedro de Mirrinote, concordou com Erixímaco, quanto a embriaguez, mas que cada um, dizia ele, deveria beber somente até o ponto que a bebida lhe desse prazer, pois além deste ponto, ponto do prazer, a embriaguez teria uma ação de expor o homem ao ridículo, a de não dizer coisa com coisa, e foi aí, neste momento, que eles me mandaram sair da sala e que fosse tocar minha flauta juntando-me a vocês. Que desaforo. Conclui Diotima.
Fedro, escutando a conversa animada das filósofas, entra no recinto e também pede um chá.
Disse que lamentava elas terem ficado de fora do symposion e as entendia quanto aos seus ressentimentos, mas que se as tivessem ouvido o que ele falou, teriam o apoiado, argumenta Fedro:
­- Falei do mito de Alceste e de Aquiles, que vocês muito bem conhecem e sabem que Alcestes, sacrificou-se por Aquiles, este que depois veio se vingar do seu amigo Pátroclo.
- Falei que a bravura e a coragem vindas do amor se refletem no ato de até mesmo alguém morrer pelo ser amado; assim, entende-se que morrer um pelo outro, representa o amar verdadeiro. Aquele, pelo que sei, disse Fedro, que se sacrifica é sempre admirado e recompensado pelos deuses após a morte, pois, sendo ele capaz de tal sacrifício, possui em si, algo de belo e de precioso. Entende assim a própria divindade.  Isto é o que está escrito no livro de Platão publicado pela Editora Nova Cultura na Coleção Os Pensadores na página 46.
Desse modo, o amor popular, aquele amor que é voltado muito mais para o corpo do que para o espírito, tem por objetivo uma só coisa, os filhos, tanto para os homens, como para as mulheres e é este o amor com que os seres comuns demonstram amar.
Fredo disse isso e se retirou, sendo que nem Diotima, nem Aspasia, nem mesmo Hipárquia de Maroneia, se satisfizeram com a fala dele, e prometeram em um outro encontro, explorar mais o tema, mas para isso elas disseram, que convidarão Alcibíades, Sócrates e também aquele menino que é um apaixonado por Sócrates, o Aristodemo de Cidateneão, que chega se intitular o único amante, no bom sentido é claro, de Sócrates, razão pelo qual no século XX uns dirão que o discurso de Fedro foi uma apologia ao homossexualismo, afirmação esta que se encontra no livro Platón do filósofo Mexicano Antonio Gomes Robledo, publicado em 1983, considerando que o forte vínculo deles ultrapassam os valores cívicos, mas este é outro assunto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Feliz Ano Novo, 

Feliz 2017

As vezes fico me lembrando que sou do tempo que as relações sociais eram diferentes. Tempo não muito longe não. Naquela época, Feliz Ano Novo, para um novo ano que se iniciava, se desejava através de cartão-postal, no cartão já vinha impresso "Feliz Natal e um Próspero Ano Novo."
As pessoas, daquela época, as que tinham mais poder aquisitivo, as empresas, os políticos e também aqueles que mais tarde queriam ser políticos, mandavam fazer cartões especiais, cartões personalizados.
As coisas foram evoluindo no passar dos anos e com o aumento da crise financeira, as modificações nos costumes também foram acontecendo.
Depois dos cartões-postais de Natal - assim que eles eram chamados - começou uma nova prática, onde os amigos da lista de contatos dos smartphone passaram a receber as felicitações de Natal através dos famosos e antigos torpedos.
A mensagem através do SMS, dos que tinham celular e operadoras que cobravam pouco ou quase nada, eram um sucesso, pois você atingia um grande número de amigos em um só toque. Começava-se enviar as mensagens, uma a uma, às 18:00, porque mais tarde que isso as linhas  dos telefones ficavam congestionadas.
Era uma questão de status, cada um queria apresentar o melhor desempenho gráfico.

A evolução contínua em passos rápidos. Surge o WhatsApp. Celulares com maior capacidade de memória nos IOS permite que a criatividade dos usuários montem mensagens em GIF, que são verdadeiras obras de arte. 
Recebi mais de uma centena de balõezinhos, explosões de luzes, letreiros em movimentos, todas com música ao fundo. Achei maravilhoso e curti a toda, mas por outro lado, quase que em todos os casos, me perguntava: Será que eu teria recebido tantas mensagens assim, caso não fosse a evolução da tecnologia? Acho que sim, todas são pessoas que me enviaram um Feliz-Ano pela passagem do Reveillon, são pessoas queridas que prezo e amo muito.
A verdade mesmo, é que a classe que forma a geração Y, que foi a geração que se desenvolveu em uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. As crianças da geração Y cresceram tendo o que muitos de seus pais não tiveram, como TV a cabo, videogames, computadores, vários tipos de jogos, e muito mais.
Este avanço na forma de comunicação rápida credito a classe da geração Z. Esta sim está ligada intimamente à expansão exponencial da internet e dos aparelhos tecnológicos. As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem “nativas digitais”, estando muito familiarizadas com a World Wide Web, com o compartilhamento de arquivos, com os smartphones, tablets, com o WhatsApp e o melhor de tudo: Sempre conectadas.

Estas duas gerações ensinaram as outras o modo mais prático e rápido de se comunicar, recheado de palavras em inglês e de um linguajar próprio para web ("vc" "tb", "kkk", ""não é naum",) é possível ainda resumir informações através de emocticons, que nada mais são que rostos que demonstram as mais diversas expressões que sentimos. 


Assim os das Gerações Baby Boomer e “X”, abandonaram o modo antigo de mandar cartões de Natal, ou de pegar o telefone e fazer uma ligação para os amigos e seus familiares e com viva voz, com uma palavra de amor e confraternização dizer "Feliz Ano Novo” meu filho, meu amigo, meu irmão, que ano que se inicia seja repleto de felicidade.

domingo, 1 de maio de 2016

O Gato Preto - "O Gothinho"

Os gatos fascinam o homem, não sei se é este o mesmo sentimento deles, de fascínio pelo homem. Acho que não. Acho que o gato fica pensando sobre o que este povo todo está querendo!!!

A população felina aumenta dia a dia, tanto é verdade que no Brasil, a população de gatos domésticos cresce o dobro em comparação com a de cães, dizem que é por eles dependerem menos de seus donos, que eles dão menos despesas e vivem melhor em apartamentos.

Tenho muitos amigos que adotaram estes bichinhos e sofrem muito por eles. Minha mãe dá abrigo a todo gato abandonado na porta de sua casa. Minha Personal Trainer mora com dois gatos que antes nunca tinham saído do apartamento. Um amigo de infância tenta me convencer com o argumento que.  "Gato é um ser completamente fiel. Ter gato, conviver com gatos é tudo de bom", diz ele.

Mas o gato dele sumiu. Tudo passou pela cabeça dele . Poderia ter sido aquele troglodita que um dia passeava na calçada com o cachorro, cachorão com cara de mau, com cara de pitbull, igual a do dono, cachorro solto sem guia, e que ferozmente quis pegar "O Gothinho" – Sim "O Gothinho" assim mesmo, com th, que é o nome do gato preto, em homenagem a um outro gato que viveu anos com ele e se chamava “a Gotinha” – Este é meu amigo, que guarda no peito uma dor enorme, uma dor impagável, por travessuras de guri, feitas aos gatos durante sua infância. Não fora por maldade como os jovens de Pelotas fizeram, ao amarrar um cachorro ao carro e percorreram as ruas da cidade esquartejando o pobre cão. Não!!! Meu amigo não foi tão mau assim, mas fez arte de guri. Fez arte de guri arteiro como ele sempre foi. Fez arte como um “The Crazy" , mas não tão pesada como a de colocar uma bombinha amarrada no rabo do gato para ver ele correr. Não, meu amigo não foi tão mau assim.

Meu amigo nunca brincou de médico, abrindo a barriguinha dos gatos para depois fechar. Isso não.

Mas meu amigo não aguentava ouvir o gozo dos gatos na calada da noite. Falando nisso, quem nunca no silêncio da noite escutou o namoro dos gatos, em um gozo que se confunde a um prazer, a um frenesi ou a um lamento?

É, mas os gatos encantam a muitos, como diz o famoso Psicoterapeuta Claudio Pfeil, que já comentei sobre ele, comentei sobre seu livro “Diário de um Analisando em Paris onde ele escreve que “Os gatos sempre nos fascinaram e continuam a nos fascinar porque não estão numa relação de demanda, de espera em relação ao seu dono”. Continua Claudio Pfeil. “Eles são domésticos, mas não se deixam domesticar. Desde sempre são a imagem da independência, da liberdade, do gozo...”

E foi isso que aconteceu com "o Gothinho", a imagem da independência, da liberdade, do gozo sem poder gozar por ter sido cadastrado, da rua. Lá se foi "o Gothinho". Ele sumiu.

Cartazes pelas ruas propondo polpudas gorjetas, gorjetas em dólar, a que encontrasse o gato preto.

Chamadas no facebook, foto do gato nos postes, tudo foi feito sem sucesso. O gato preto sumiu.

Quando já sem esperança de encontra-lo. Quatro meses tinham se passado, eis que bate na porta de sua casa um senhor, senhor alto, cabelos calvos. Jeito de responsável. Homem bem trajado e com um gato preto no colo:

- Senhor, eu vim lhe devolver o gato e, por favor, me deixe contar como foi.

Meu amigo sorria e só imaginava a hora que faria surpresa a sua esposa. Imaginava o sorriso, o choro e a alegria dela quando ouvisse ele dizer “Amor!!! o Gotinho voltou”, mas se conteve e pediu para que o homem, com postura de um lord inglês, contasse a história que começa assim:

- Certa noite, eu e minha esposa jantávamos nesta Pizzaria ao lado de sua casa, quando avistamos no bueiro da rua, dois olhinhos brilhantes e curiosos nos fitando, com olhos de pedinte.

Era do gatinho preto.

Minha esposa, que tem em casa outros quatro gatos, insistia comigo para levarmos ele também, pois onde come quatro come cinco.

Eu disse que não. Disse que o gato deveria ter dono. Mas ela insistiu, e o senhor sabe com é uma mulher insistindo no ouvido do homem a noite toda. Terminei cedendo e como o gato ficou nos olhando até o final do jantar. Na saída levamos o gato.

Eu queria dar a ele o nome de “Dark”. Uma, por ser ele escuro e outra, em homenagem a música de Katy Perry – Dark Horse, que eu gosto muito, mas ele não era nosso cavalo, ele era o nosso “Dark Cat”. Foi quando minha esposa, como sempre, muito mandona, disse que não, disse que o nome seria Dart e não Dark. Dart, coisa de mulher, ela sempre foi fã do bandido todo de preto da famosa série "Guerra nas Estrelas", de Jorgo Lucas, e assim em homenagem a Dart Vaider, ficou Dart

Todas as vacinas foram feitas, - disse o homem - até o dia em que resolvi trazer nesta Pet, também ao lado de sua casa, para castrar “o Dart”. (maldita hora para mim e bendita hora para o senhor). Foi quando a veterinária disse que o gato já era castrado e um dia pertenceu ao senhor e por ter pertencido ao senhor, estou aqui, com o coração partido lhe devolvendo o gato que um dia foi seu. Pois sei o quanto vocês devem ter sofrido, pois assim, como o gato foi castrado, a perda dele para vocês, deve ter sido também uma forma de castração de sentimentos e a castração, meu amigo, é o bilhete de entrada do neurótico no mundo. Isto está escrito no livro – Diário de um Analisado.

Anotado em Paris 8 :
"A castração é o bilhete de entrada do neurótico no mundo.
O psicótico é aquele que se recusou a comprar o bilhete,
não quis pagar o preço da castração"

Meu amigo sorrio. E “o Gotihnho” voltou para sempre.




Nota da Internet
Gatos
Em relação à presença de gatos, 17,7% dos domicílios possuem pelo menos um, o equivalente a 11,5 milhões de unidades domiciliares. Os piauienses são os maiores amantes dos gatos, já que há pelo menos um em 34,2% dos seus domicílios. O Distrito Federal, com 6,9%%, é a unidade da federação em que menos lares têm gatos.

A população de gatos em domicílios brasileiros foi estimada em 22,1 milhões, o que representa aproximadamente 1,9 gatos por domicílio que tem esse animal.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Filme - Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos - O Filme


A Cidade Abandonada - http://dirceostona.blogspot.com.br/2015/02/a-cidade-abandonada.html. Desde o último Carnaval, em fevereiro de 2015, quando nosso carro foi assaltado por meliante armado em Porto Alegre, eu não havia escrito nada blog.

Não pude resistir. Com o filme "Dez Mandamentos" enchendo salas e salas de cinemas com crentes e seguidores do Bispo Edir Macedo, tenho que deixar registrado minha observação crítica de cinéfilo que sou.

Sob os gritos histéricos e aplausos da plateia em cada cena que aparecia Moisés, o cinema inteiro levantava e aplaudia. Eram gritos estridentes, uivos de Moisés..... Moisés...... Moisés.....

Uma sala de cinema lotada. Não havia mais espaço, nenhuma poltrona vazia. O filme se desenrolava normalmente, passando a vida de Moisés. Confesso que  me surpreendeu a qualidade profissional da produção como filme em si. 
Eu não sou conhecedor da Bíblia e tão pouco do Novo Testamento, mas tenho certeza que este fanatismo que assisti e presenciei no cinema é muito perigoso.

Saramago em seu livro, Caim, relembra que "as guerras de religião que estão na História, nós todos sabemos a tragédia que foram"

O filme dirigido por Alexandre Avancini e estrelado por Guilherme Winter, Sérgio Marone e Camila Rodrigues, chega em determinado momento mudar o 9º mandamento. 
Pois pelo que aprendi e sempre foi dito, o nono mandamento das tábuas que Deus entregou a Moisés, era não desejar a mulher do próximo, mas no filme em uma pirofagia que grava na montanha mandamento a mandamento, foi mudado, agora a mulher do próximo pode ser desejada, (segundo minha interpretação) só não pode ser desejada a casa do próximo. (também sei que uns dizem que: NÃO COBIÇARÁS A CASA DO TEU PRÓXIMO, NEM DESEJARÁS SUA MULHER,NEM SEU SERVO, NEM SUA SERVA, NEM SEU BOI, NEM SEU JUMENTO, NEM COISA ALGUMA QUE PERTENÇA A TEU PRÓXIMO"
(Ex 20,17))

Não pode haver invasão de propriedade segundo Moisés. Esta é outra coisa que no filme me parece extremamente exagerada e que os seguidores de Moisés no filme seguem a risca as orientações, tanto que matam e agridem aqueles que não acreditam em Deus. A lei era uma só. Só pode ficar vivo, quem acredita em Deus e nenhum outro deus pode ser admirado. Nenhuma estátua pode ser venerada. Isso é perigoso, porque os crentes tomam como verdade. Os pregadores nos templos da Universal fazem uma lavagem cerebral naquele povo que hoje lota as salas dos cinemas e o filme mostra como que se isso fosse a verdade. Os pastores nas igrejas, na hora da pregação, mais parecem que estão em transi do que levando a palavra do Senhor. Com o poder de convencimento que possuem, transformam seus fiéis em verdadeiros rebanhos que levam isso ao pé da letra.

O cinema estava lotado. 

Crianças de colo. 

Crianças de meia idade. 

Famílias inteiras, nunca vi uma coisa igual. 

Nunca vi fanatismo tão grande na minha vida. As pessoas se levantavam e fotografavam a plateia como se isso fosse um troféu para mostrar ao pastor como que realmente estiveram no filme. 

Dezenas destas pessoas com seus celulares filmavam cenas que estavam na tela para levar para suas casas e mostrarem para os amigos, de que o que o pastor diz é verdade. "Moisés realmente ao chegar às margens do mar Vermelho, fez com que às águas se abrissem para a travessia dos judeus, e se fechem em seguida, afogando os soldados egípcios"

Na parte do filme, onde as águas do mar Vermelho se abrem como em um passe de mágica - o  impressionante foi que - as pessoas aplaudiam Moisés como se estivessem em um teatro. Uivavam e gritavam em um histerismo tal, como se estivessem em um campo de futebol. Chegava até ser engraçado, mas fanatismo assim me preocupa e me preocupa muito.

Depois, um amigo meu que também assistiu o filme comigo, chega em casa se depara com o vendaval e a chuva que destruiram Porto Alegre no início do mês de fevereiro, passa achar que tudo é por causa que as cidades estão só pensando em pecados. Tudo, diz ele, são os mesmos tipos de pragas espalhadas por Moisés sobre os egípcios, com uma diferença, aquelas eram grilos e rãs, as de hoje, são os mosquitos da dengue e o temível zica junto com o chikungunya, esta diz ele, tem sido a nova praga espalhada, a praga moderna, enviada por Deus para castigar os pecadores. Complementou, conclamando para que  ninguém fosse ao Carnaval, já que carnaval é coisa do pecado, é festa pagã, festa do diabo e é igual aquela festa que os dissidentes de Moisés no filme, fizeram para adorar o bezerro de ouro. Cuidado com o fanatismo, muito cuidado